Identifique e cultive os seus prazeres

Identifique e cultive os seus prazeres

por Suzana Herculano – Houzel

apontamentos de Guilherme Armando Contrucci

O bem-estar é um conjunto de sensações positivas que envolvem em grande parte o prazer e sentimentos semelhantes de satisfação, motivação e autoestima. O prazer é muito mais do que ausência do sofrimento ou dor. Para a neurociência, ele é um estado específico, que pode ser buscado ativamente e depende de um conjunto de estruturas cerebrais fundamentais ao bem-estar: o sistema de recompensa.

Temos no cérebro uma estrutura de cerca de 1 cm de diâmetro com um poder particularmente interessante: ele nos causa prazer. Quanto mais intensa é a ativação, maior é a sensação de prazer alcançada, que vai da leve satisfação à euforia.

Acionar essa estrutura, chamada de núcleo acumbente, é algo simples que podemos fazer várias vezes por dia. Basta realizarmos alguma coisa que o cérebro considere que deu certo: resolver mentalmente um problema, concluir um trabalho, passar de fase no videogame, beijar alguém querido, comer ou ouvir música. Ao se considerar autor de um comportamento bem-sucedido, que atende as expectativas ou é interessante por outras razões, o córtex cerebral providencia uma dose do neurotransmissor dopamina para o núcleo acumbente. Quanto mais dopamina ele recebe, mais ativo fica e, assim, mais prazer gera através de mecanismos ainda pouco conhecidos. Esse prazer com o que fazemos direito, proporcionados pelo acumbente e pelas estruturas associadas a ele que formam o sistema de recompensa, é a base da satisfação e da auto estima.

Além de oferecer recompensa imediata pelo bom comportamento, a ativação do núcleo acumbente é importante por duas razões: 

1 – A primeira é que ela serve como um retorno positivo fundamental para que, por meio do aprendizado, o cérebro aperfeiçoe a sua maneira de agir. 

2 – A segunda é que a associação entre o que fizemos e a sensação de prazer que aquilo causou é registrada na memória. A lembrança do que deu certo no passado é fundamental para o comportamento: ela nos faz ter preferências e buscar repetir o que sabemos por experiência própria que foi bom.

O prazer é uma sensação fundamental no dia a dia, base da motivação e requisito para o bem-estar. Mais do que um luxo raro, trata-se da maneira como o cérebro indica a si mesmo que fez algo que deu bons resultados e que, portanto, deve ser repetido no futuro. Tornar a sua vida prazerosa não significa simplesmente regalar-se com boa comida, bebida e sexo, mas procurar fazer o que deixa o cérebro satisfeito com as suas ações.

Uma das descobertas de maior impacto da neurociência nos últimos tempos diz respeito à imaginação: ela consiste em ativar no cérebro os mesmos circuitos, as mesmas representações, que são acionados pelos sentidos numa situação concreta. Desse modo dependemos do córtex visual tanto para ver quanto para imaginar o rosto de uma pessoa querida ou gráfico a incluir em um relatório. E precisamos da amígdala cerebral para vivenciar e depois evocar as sensações de alegria ou tristeza associadas à memória de alguém.

Da mesma forma, lembrar-se do que foi bom no passado ou projetar a execução de algo prazeroso no futuro próximo são ações suficientes para provocar uma ativação do sistema de recompensa. Isso significa que pensar que realizar uma atividade ‘tem grandes chances de dar certo”, é uma fonte não só de satisfação prévia como também de motivação para seguirmos adiante; o bem-estar antecipado nos incita a agir na direção do que pode proporcioná-lo. Pensamentos positivos concentrados em uma tarefa a executar ativam o sistema de recompensa, oferecem motivação ao cérebro e assim aumentam as suas chances de ser bem-sucedido naquela ação.

Evitar punições e resultados negativos como um todo é uma razão para agirmos, mas a maior motivação, e aqui dá melhores resultados, é a antecipação de uma atividade que proporcione prazer. Imaginar uma situação prazerosa já é suficiente para ativar um pouco o sistema de recompensa, o que nos estimula a agir de fato. Para encontrar ânimo para terminar ou iniciar uma tarefa, imagine se realizando-a com excelentes resultados.

A programação neurolinguística (PNL) trata muito bem dessa temática, ajudando pessoas imaginarem pontos futuros (metas) com o incremento de situações agradáveis do passado, que podem ser concretizados na mente, e trazidas para o momento atual. Isto é um tipo de representação que dá excelentes resultados quando transferimos essas boas sensações do passado e as projetamos no futuro que queremos alcançar.

São micro objetivos que auxiliam no nosso bem-estar.

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