O problema do prazer excessivo: vícios generalizados

O problema do prazer excessivo: vícios generalizados

por Guilherme Armando Contrucci

Segundo a Drª Suzana Herculano-Houzel (Fique de Bem com seu Cérebro), seres dotados de um sistema de recompensa, como nós, são movidos a prazer e sua antecipação, a motivação, que faz com que pulemos de um prazer para o seguinte. Enquanto o sistema de recompensa funciona dentro dos seus limites naturais, alcançando o máximo de prazer possível por seus próprios meios, não há problemas: trabalho, cinema, amigos, sexo, música, comida e outros prazeres se alternam, em uma vida rica em variedade e satisfação.

Ainda segundo a pesquisadora, se no entanto o nível de ativação do sistema de recompensa é alterado, as conseqüências para o bem-estar e as atividades cotidianas são drásticas – o que não é surpresa, dado o papel central do sistema em nossas escolhas ao longo do dia. Se o sistema de recompensa fica ativo demais, temos sensações indevidas de prazer, que não correspondem à realidade, e tomamos decisões perigosamente auto-confiantes. Se fica ativo de menos, temos dificuldade em encontrar prazer e motivação na vida – como na depressão.

Drogas são um problema não por causarem prazer ao cérebro, e sim porque esse prazer é tão excessivo que os neurônios do sistema de recompensa se protegem do excesso de ativação tornando-se menos sensíveis à dopamina. Quando as drogas deixam o sangue e param de ativar o sistema de recompensa, este, dessensibilizado à quantidade de dopamina que normalmente o ativa, não encontra mais o mesmo prazer nas atividades normais do cotidiano.

A Dra. Suzana diz que, como se não bastasse o prazer diminuído na ausência da droga, abstinência faz um estrago enorme ao bem-estar por levar à liberação de uma quantidade dez vezes maior pelo cérebro do hormônio liberador de corticotrofina, que estimula as estruturas que regulam sensações de medo e ansiedade, como a amígdala e o locus coeruleus. A estimulação dessas estruturas deixa em estado de alerta o cérebro e também o corpo, por meio de uma ativação excessiva do sistema nervoso simpático, que deixa o corpo tenso, pronto para a ação, suando frio e com o coração disparado. Não é à toa que a pessoa se sente tão mal – e busca mais droga, a única coisa que a essa altura parece ao cérebro capaz de curar o mal-estar.

No caso do alcoolismo, por exemplo, uma vez que o líquido atravessa a barreira entre o sangue e o cérebro, há uma dose de liberação de endorfinas e dopaminas. Em situações de controle ou padrões normais, é saudável que os centros de prazer estimulem as recompensas, como colocado anteriormente.

Mas há também coisas boas com a ingestão de álcool, comedidamente, como por exemplo a redução dos níveis de colesterol, a redução do entupimento das artérias, aliviar a menopausa dentre outros benefícios.

Tratamentos medicamentosos e psicoterapêuticos se mostram eficazes no combate aos vícios em geral, entretanto, o trabalho deve conter a imensa predisposição do paciente em sua jornada de cura.

Costumo relacionar esses elementos com outros um tanto sutis, que dizem respeito aos componentes metafísicos do ser humano, que, por si só, seriam suficientes para desequilibrar as atividades cerebrais e emocionais, proporcionando prejuízos físicos de toda ordem.

Nesse sentido, na esfera metafísica ( investigação das realidades que transcendem a experiência sensível, capaz de fornecer um fundamento a todas as ciências particulares, por meio da reflexão a respeito da natureza primacial do ser – Aristotelismo), é necessário acessar o processo que ajuda a normalizar os produtos químicos do cérebro. Eu posso citar aqui algumas psicoterapias holísticas como o EFT e o Thetahealing, que trabalham com os insights e remédios intuitivos.

Outro componente que se faz necessário é o processo de recuperação dos fragmentos da alma, cujo trabalho foca a autoestima e o amor próprio, componentes fundamentais para quaisquer trabalhos terapêuticos.

O tripé que fecha a base dos componentes necessários é aquele que ajuda na remoção de todas as memórias flutuantes, ou seja, aniquilar-se as crenças limitantes que impedem o processo de cura; posso citar aqui crenças do tipo “a dor da vida é demais pesada para suportá-la”.

Os fundamentos metafísicos não estão tão distantes como alguns podem imaginar, afinal de contas é na própria realidade que se manifestam os distúrbios mentais, físicos e emocionais. A chave da questão é a maneira como lidamos com os distúrbios e desequilíbrios, no caso tratado aqui – os vícios em geral.

O trabalho de auto-observação, a busca pelo autoconhecimento, a correta atitude diante do cosmos são primordiais para que os processos de cura aconteçam, beneficiando não só o enfermo mas todos que estão à sua volta.

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