Transtornos de Ansiedade, Estresse e Depressão: Como Identificar e Tratar?

Por: Guilherme Armando Contrucci

Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), os transtornos mentais atingem cerca de 700 milhões de pessoas no mundo, representando 13% do total de todas as doenças. Um relatório de 2017 da entidade apontava o Brasil como o país com a maior prevalência de transtornos de ansiedade nas Américas: o problema afetava 9,3% da população, o equivalente a 18,6 milhões de pessoas.

Pesquisa do instituto Ipsos, encomendada pelo Fórum Econômico Mundial (cedida à BBC News Brasil), aponta que 53% dos brasileiros declararam que seu bem-estar mental piorou um pouco ou muito no último ano. Essa porcentagem só é maior em quatro países: Itália (54%), Hungria (56%), Chile (56%) e Turquia (61%).

“A gente já havia percebido isso em outra pesquisa global que fizemos em março do ano passado, quando 41% dos brasileiros relatavam ter sintomas como ansiedade, insônia ou depressão já por consequência da pandemia”, diz à BBC News Brasil Helena Junqueira, gerente de pesquisas digitais do Ipsos.

Em meio à devastação causada pela covid-19 no país e a necessidade de isolamento social, “a percepção é de que a saúde mental das pessoas está piorando, e além disso o tema se tornou mais discutido recentemente. É um assunto mais presente”, prossegue Junqueira.

O que são os TADs?

Mas é importante também entender o que são os transtornos de ansiedade e depressão, conhecidos na literatura médica como TADs, independente dos números acima apresentados. Os diagnósticos, os medicamentos ofertados cada vez mais através da poderosa indústria farmacêutica, as psicoterapias e outros tratamentos também devem ser observados.

Falo muito para meus pacientes que “você não vai morrer disso!”. Essa frase, causa um conforto, às vezes um espanto, alguns dão risada, mas trata-se de uma informação que a patologia tem cura na maioria dos casos. Mesmo porque, quem somos nós, humanos, que podemos determinar se alguém vai morrer ou não, ou quando isso vai acontecer?

Segundo o Dr. Breno Serson, “É antiga a discussão sobre o que é melhor – se a farmacoterapia ou psicoterapia”. Sabemos que os efeitos dos remédios são mais rápidos, mas também sabemos que os remédios não curam – como o próprio nome diz, remediam.

As depressões constituem os TADs mais significativos, as pessoas passam por processos depressivos pelo menos uma vez na vida. Instala-se o que chamamos de “humor depressivo”, ou seja, falta de vontade, energia, prazer, etc. Também se manifestam ideias negativas, sono perturbado, falta de apetite, dentre outros sintomas. Mas a depressão não pode ser entendida como ansiedade, são patologias distintas e bem definidas, cujos tratamentos são diferentes. Entretanto, pode-se encontrar estados de ansiedade (ansiedade geralmente grave) nos casos de depressão e vice-versa – mas, como escrevi, são coisas diferentes.

Reforça o Dr. Serson que ” Os sintomas isolados não são a doenças, valoriza-se um conjunto isolado de sintomas e sinais que se encaixam dentro de um quadro conhecido, configurando uma síndrome”. Diz ainda que “Já que uma mesma síndrome pode ser causada por várias doenças, deve-se excluir as causas corporais e de uso de substâncias para se chegar ao diagnóstico de TAD.”

Nas depressões, portanto, podem aparecer crises de ansiedade, somatização, sintomas do tipo TOC (transtorno obsessivo-compulsivo), culpa, falta de sentido na vida, pensamentos sabotadores repetitivos, falta de estímulo para o trabalho, falta de interesse sexual, além das dores físicas generalizadas.

Todos nós somos potenciais para desenvolver os TADs

Todos nós podemos ter graus de abatimento diante da realidade da vida, falo para meus pacientes que “a vida não é um parque de diversões, podemos até tentar transformá-la, mas ela é desafiadora e cheias de perigos”. A questão é a duração, intensidade e como nos comportamos diante dos abalos e turbulências. Dependendo desses fatores, podemos diagnosticar alguém com TADs moderado ou grave, mas também a ausência de TADs.

Veja o gráfico abaixo:

Os fatores biológicos / genéticos e os fatores ambientais / pontuais (eventos específicos) são determinantes para o diagnóstico de TADs. Pessoas com fatores biológicos podem desenvolver as patologias simplesmente se contaminadas por fatores ambientais. Mas também aqueles que não trazem consigo os fatores biológicos, podem desenvolver TADs com eventos pontuais, como a perda de um ente querido, por exemplo.

É muito importante que o terapeuta identifique se o diagnóstico é uma patologia dentro do grupo dos TADs, e, se não for o caso, deve-se mostrar que o paciente tem que vivenciar as suas perdas, sem torná-las problemas médicos.

A ética médica deve acolher os pacientes de forma humana e sincera. O terapeuta, antes de qualquer proposta de ajuda, deve criar um ambiente e uma relação empática com o paciente, na qual ambos sintam-se aptos a cocriar as soluções. O simples fato de ouvir, entender e validar as queixas já tem efeito terapêutico, pois o paciente também “se ouve” e assim começa a reconhecer as suas feridas, medos e limitações.

É um processo que chamo de ganha-ganha!

Considerar-se os aspetos físicos e mentais, e também os aspectos metafísicos é um bom início para a jornada de cura!

Saúde e Paz!

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1 comment

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